terça-feira, 26 de abril de 2011

A Perda.

Há uma rua que está sempre plena de gente. Eles vão e vêm, passos rápidos - e eu também.

Há os que param numa expressão e há os que cantam numa recordação. Há os que dançam e há os que mentem. A rua plena é deles, mas minha não porém.

A rua plena é de todos, mas minha não porém.

Que escondo, que me escondo, entre os dedos gordos das luzes e das sombras que me agarram das paredes a gente plena da rua. a gente sem face

Esta rua de luzes, os passos que passam rápidos. Aqui onde páro, canto, danço e minto, mas minha não porém.

sábado, 9 de abril de 2011

As Nuvens.

O tempo carregado e escuro é habitual.
Há dias em que o dia não consegue nascer. Há dias em que se levanta tarde, preguiçoso, já o relógio esqueceu as nove e nem se lembra quando. São dias de sacrifício, de submissão à esfarrapada chuva persistente que queima as faces e afoga os olhos. Numa noite demasiado longa.
Como o vento. Mais forte que o de qualquer outro gobi, bem crescido aqui, o vento que é.
Como as nuvens. Negras, velhas, pesadas sobre a minha cabeça. Às vezes só ameaçando, como um fardo nos meus ombros, berrando-me ecos distantes aos ouvidos.

E tudo isto por quê? E tudo isto para quê?

sábado, 2 de abril de 2011

Ano Três.

Por ser ímpar. Porque há que aguardar pela composição certa das coisas e pelo tempo delas.